22 de nov de 2015

Charles Bukowski +18

A Crise 

Demais, de menos,
muito gordo
muito magro,
ou ninguém.
riso ou
lágrimas.

os que odeiam
os que amam.

estranhos com rostos como
a parte de trás de
uma tachinha.

exércitos correndo por
ruas de sangue
balançando garrafas de vinho
abaionetando e fodendo
virgens.

um sujeito velho num quarto barato
com uma fotografia de M. Monroe
existe uma solidão tão grande nesse mundo
que você pode vê-la no movimento lento
dos ponteiros de um relógio
pessoas tão cansadas
mutiladas
ou por amor ou por falta de amor....



as pessoas simplesmente não são boas
umas às outras
os ricos não são bons aos ricos.
os pobres não são bons aos pobres.
nós tememos.
nosso sistema educacional nos diz
que todos nós podemos ser
malditos vencedores

mas não nos contou
sobre as sarjetas
ou os suicídios.
ou sobre o pavor de uma pessoa
sofrendo em algum lugar
sozinha.
intocada
calada
regando uma planta.

as pessoas não são boas umas às outras
as pessoas não são boas umas às outras
as pessoas não são boas umas às outras
eu suponho que elas nunca serão.

eu não peço que sejam.
mas às vezes eu penso sobre
isso.

as pérolas vão balançar
as nuvens vão anuviar
e o assassino irá decapitar a criança
como se mordesse um cone de sorvete.

demais
de menos
muito gordo
muito magro
ou ninguém.
mais que odeiam do que amam.

as pessoas não são boas umas às outras.
talvez se fossem
nossas mortes não seriam tão tristes.

enquanto isso eu olho para jovens meninas
brotos
flores do acaso.
deve haver uma maneira.
certamente existe uma maneira que ainda não
cogitamos.

quem pôs esse cérebro dentro de mim?

ele chora
ele exige
ele diz que ainda há uma chance.
ele não dirá
“não.”

Trad.: Daniel Grimoni.


Quem foi Charles Bukowski? 

Vou começar dizendo que muitos não gostam de suas obras e da forma como ele escreve e sobre que ele escreve, e também já vou falando que Charles não é recomendado para menores de 18 anos por conter conteúdos bem mais pesados. Apesar do mesmo não ser tão bem falado e as pessoas costumarem não gostar dos seus gênero também tem quem goste como por exemplo: Eu.
Heinrich Karl Bukowski (seu verdadeiro nome) nasceu em 1920 e veio a falecer em 1994. Bukowski foi um poeta e suas obras são baseadas em: porres, relacionamentos, e uma vida sofrida e cheia de amarguras.

O que eu mais gosto nas obras de Bukowski  para falar a verdade é como em relação a época em que ele viveu para escrever as coisas o quanto ele escancarava a realidade nas suas histórias falando sobre coisas que aconteciam, normal porem ninguém falava sobre, afinal suas obras são autobiográficas, mostrando o mundo distorcido. E se você tiver a oportunidade de ler uma de suas obras irá perceber isto.  Repulsa, nojo, ódio, amor, paixão e melancolia eram os maiores sentimentos que inspiravam Bukowski.
Como lhes disse o mesmo não ficou com uma fama muito boa, porem a uns tempos atrás a minha amiga Sarah, do Seis Mil Milhas havia me mandando uma entrevista do seu editor chefe, e é o tipo de entrevista no qual você se surpreende em saber algumas coisas referente ao autor e eu gostaria de compartilhar:

Como seu primeiro romance, Cartas na Rua, aconteceu?

Essa é uma história boa. Fizemos aquele acordo dos $100 por mês em dezembro, no começo de dezembro, segundo me lembro, então ele notificou os correios e seu último dia lá seria 31 de dezembro. Ele disse: “OK, vou trabalhar para vocês dia 2 de janeiro, porque 1º de janeiro é Ano Novo e vai ser feriado”. Achamos isso muito engraçado. Cerca de três ou quatro semanas se passaram, acho que ainda era janeiro, ou, no máximo a primeira semana de fevereiro, quando ele me ligou. Ah, e eu tinha dito antes: “Se você pensa em escrever romances, isso é mais fácil de vender do que poesia; acho que ajudaria se você escrevesse um romance”. Então, ele me ligou no fim de janeiro ou na primeira semana de fevereiro, do nada, e disse “Já está pronto, venha pegar”. Eu disse: “O quê?” e ele disse: “Meu romance”. Eu disse: “Você escreveu um romance desde a última vez que nos vimos?” e ele disse: “Sim”. Perguntei como era possível e ele disse: “O medo pode fazer muitas coisas”. Esse romance era Cartas na Rua.

Você acha que, se vocês tivessem se encontrado quando ele era mais novo e tivesse oferecido dinheiro para escrever em tempo integral, em vez de trabalhar naqueles empregos que teve antes, seu trabalho teria sido alterado, não tendo vivido aquela experiência?

Tudo o que vivemos contribui para o que somos, e ele precisou de cada parte do que viveu anteriormente para ter êxito. É como Henry Miller, sem dinheiro ou moradia pelas ruas de Paris. Se não tivesse tido aquela experiência, como ele poderia ter escrito Trópico de Câncer? Bukowski chegou ao fundo do poço várias vezes. O único período estável em sua vida depois de deixar sua casa foi durante os poucos anos em que trabalhou nos correios. Porque era um trabalho diário, tinha que estar sóbrio, ser pontual e, mesmo assim, seu desejo de escrever era latente. Ele tinha parado de escrever no fim dos anos 1940 e não escreveu por uma década – ficou em uma bebedeira de dez anos. Então, no fim dos anos 1950, teve um colapso físico que o levou ao hospital, sangrando pelo reto. Ele quase morreu.

Você estava envolvido na produção de Barfly?

Não. Tudo o que fiz foi me preocupar.

Por que você se preocupou?

Porque quando ele estava cercado por aquelas pessoas – Hank não ficava confortável entre pessoas, em multidões ou até mesmo em pequenas reuniões. Era um verdadeiro recluso. Queria acordar de manhã, tomar um café da manhã rápido com sua esposa, ler o jornal, sair de casa por volta do meio-dia, voltar para casa às 18h, jantar por volta das 19h, se recolher às 20h e escrever até as duas da manhã. Não queria que nada interferisse em sua rotina e fazia isso sete dias por semana. Quero dizer, passávamos um tempo juntos e ele gostava de ficar com Sean Penn, mas sabia que não devia aparecer todo dia na casa dele, pois ele teria detestado. Ele teria sido educado, era o homem mais educado e mais honesto que conheci. Era muito atencioso, educado e preocupado com seu conforto e bem-estar quando em sua companhia.

Então ele bebia frequentemente, mas com moderação?

Não, acho que exatamente o contrário. Ele não bebia muito frequentemente, mas quando bebia, bebia muito. Quero dizer, ele até bebia todos os dias e, mais para o fim, eram bons vinhos. Ele vivia para escrever e, como muitos escritores, enquanto escrevia, digo, entre 20h e 02h, bebericava um pouco de vinho; isso o fazia trabalhar melhor.

Então, só para ter certeza, você o conheceu por 35 anos e nunca o viu bêbado.

Bem, eu o conheci em 1965 e ele morreu em 1994, então não, eu o conheci por cerca de 30 anos. E não, nunca o vi bêbado.

Mulheres foi uma representação verossímil de seu estilo de vida?

Ah, sim. Ele escreveu Mulheres em, tipo, 1975, 1976, 1977. Eu o publiquei em 1978. Bukowski me mandava o manuscrito de cada capítulo quando terminava e, a cada capítulo que lia, eu só podia esperar que aquilo não fosse tudo verdade.

Você chegou a perguntar o quanto daquilo era verdade?

Eu só ligava e perguntava “Você está bem? Está se comportando?”. Porque, você sabe, ele tinha um comportamento escrupulosamente bom quando eu estava por perto. Vamos falar a verdade: eu me tornei uma espécie de porta de saída da vida que ele tinha tido antes.

Claro que a entrevista fica bem mais fácil de entender apos você ler um de seus romances, porem se você tiver curiosidade de ler a entrevista completa: Vice. Que foi a fonte do qual a retirei.

Até agora li apenas duas de suas obras "Cartas na Rua" e "Misto quente" e tenho muita curiosidade e com certeza irei ler "Mulher", quis compartilhar hoje com vocês um tipo diferente de escrita e devo confessar que me identifico com a tipo de escrita de Charles e acho ele um grande escritor apesar de não poder falar muito pois só li duas de suas obras e alguns de seus poemas e outros trechos de livros dele mas, gosto do que ele escreve e de como ele não se importou com a opinião dos outros, é basicamente: eu sou isso e ponto, até mesmo porque ele chegou a perder amizades por colocar os nomes dos amigos assim na lata.
E bom, se você tem um tumblr, com certeza o que não falta ali são frases do mesmo afinal foi por lá que o conheci, agora quando você ler o autor e for ele já vai saber quem é, quem não lê uma frase ou um texto e se identifica e fica curioso para saber mais sobre o autor? Vivo fazendo isso e descubro histórias incríveis como a de Bukowski.

Espero que tenham gostado.

6 comentários:

  1. Ameeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei o post
    Meu tumblr tem um monte de citações do Bukowski, como esse cara me entende.
    Seu post ficou ótimo, é uma linda homenagem.

    glossrosaa.blogspot.com.br

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    1. Eu já achava ele muito bom, após ler essa entrevista do editor dele fiquei mais encantada ainda. Conheci ele pelo tumblr e nos meus favoritos só da ele hahahaha
      Fico muito feliz que você tenha gostado, vou falar mais á partir de agora sobre escritores que fazem um estilo diferente do que as pessoas estão acostumadas a ler, as vezes não damos nada para alguém e quando vamos um pouco mais a fundo encontramos coisas extraordinárias.

      Xoxo :*

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  2. Nossa, adorei o post! Achei incrível o poema, e com certeza, vou colocar os livros dele na minha lista!

    llullis.com

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    1. Eba, que bom que curtiu!
      Eu gosto muito deste poema, eu gosto muito dos personagens que ele cria baseados nele, pois nada mais são do que a realidade exposta. Depois que você ler vem me contar ;)

      Xoxo :*

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  3. Gente, o Bukwoski é o cara, né não? Sou apaixonada pela forma que ele escreve, apesar de não concordar com muita coisa, ele é incrível <3
    Post sensacional!
    irianneveloso.blogspot.com

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  4. É que ele é muito intenso, ele escrevendo diz tudo que pensa e acha sem papas na língua e isso acontece com todos os escritores algumas coisas nos identificamos mais outras menos... Que bom que gostou, espero te ver mais vezes por aqui ;)

    Xoxo :*

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