12 de nov de 2016

Todo o dia é a mesma coisa. Quando isso vai acabar?



Todos os dias ela acorda com o despertar do celular ás 6:30. Levanta e na maioria das vezes já separou sua roupa na noite anterior antes de se deitar, sempre se baseia na previsão do tempo e por mais que não tenha previsão na mudança do tempo, é sempre bom prevenir e incluir um casaco de frio. Mas naquele dia, foi diferente.  Era cedo porem, o sol invadia seu quarto clareando todo o ambiente mesmo com as cortinas fechadas. Então, toma seu banho como de costume e quando vai se trocar decide deixar de lado a calça social quente e opta por um vestido preto, afinal, faz calor.

Costuma sair de casa por volta das 8 horas. Ela, que deve ter em torno de 20,30,40 anos, estatura média, cabelos longos, as vezes curto. Anda a passos largos até o ponto, sempre olhando para os lados, rua ou outra apesar de claro lá fora, anda por ruas pouco movimentadas. Escuta passos, então acelera os passos.  Ouve um assovio daqui, umas buzinadas dali, uns olhares de cantos e apesar do 32º graus marcados coloca o casaco e se encolhe um pouco, mais algumas buzinadas e finalmente mais alguns passos e chega no ponto de ônibus.


O ponto está lotado, o ônibus chega e a maioria entra. Os lugares para sentar lotaram, fica de pé espremida em um canto. Algumas pessoas saem, outras entram, e seu destino não chega nunca, sente alguém alisando seus braços, desvia, se afasta. Alguém se aproxima e alisa suas costas. Dá o sinal, sai do ônibus, desce dois quarteirões antes, está de salto e precisa andar. Vai se atrasar. Entra no escritório, o chefe olha torto, os colegas olham bobos. Qual o problema? Nunca viram uma mulher de vestido antes?

O dia é longo, as horas nunca passam as piadas nunca acabam.  18 horas. Hora de voltar para a casa, o ponto de ônibus é perto do serviço, ufa que alivio. Alivio pra quem? Se o transporte vai lotado e as passadas de mão nunca param. Chega em casa, olha o celular mensagem das amigas hoje tem barzinho pra comemorar o aniversário da amiga. Vai até o guarda roupa e procura uma roupa, vestido não, pois chama muita atenção, mas para a calça está calor demais. Então pensa, que quando tiver um filho vai tentar ensinar a respeitar as mulheres.

Mulher não tem que se preservar. E sim que pais precisam ensinar seus filhos que a mulher faz o que quiser com o próprio corpo, que é preciso respeito. Chega de andar entre as ruas com medo de ser violentada, ter que aguentar alguém tocando onde não foi permitido, não importa aonde, não toca. Chega de piadas machistas no trabalho, chega de ganhar menos do que os homens em pleno século XXI. E chega de não poder usar roupa mais curta por ser considerado vulgar. O feminismo esta presente e está sendo discutido para que todos tenham direitos iguais. É assedio a partir do momento em que a mulher se sente violada. Feminismo não é mimimi.


Ela então respira fundo, e pensa, deseja que quem sabe quando tiver uma filha as coisas não tenham mudado mais um pouco. Escolhe uma saia longa para vestir, e uma blusa um pouco mais fechada. O dia já havia sido longo demais para ter que escutar mais desaforos, ela queria curtir e não se estressar.

4 comentários:

  1. AMEI! Feminismo não é mimimi, é necessário e a nossa luta vai continuar!

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    1. E se reclamar vai ter mais ainda, hahahaha. Direitos iguais sempre!
      Xoxo :*

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  2. Amei o texto!
    As coisas vão mudar sim, já estão mudando, amém, e vai mudar muito mais, logo logo poderemos respirar com mais tranquilidade e, ao menos, com menos medos do que sentimentos hoje, vai mudar ♥
    beijos
    Visite Ganurb

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    1. Que assim seja. Fico feliz que tenha gosta, obrigada!
      Espero te ver mais vezes por aqui ;)
      Xoxo :*

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