11 de dez de 2016

Ser ajudado é ótimo, mas ajudar é melhor ainda

Programa Escreve Cartas comemora 15 anos de sucesso auxiliando cidadãos no Estado de São Paulo 



A movimentação era grande na estação Central do Brasil no Rio de Janeiro, e a personagem Dora ganha a vida escrevendo cartas para analfabetos.Segundo estudo realizado entre 2007 e 2014 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no Brasil são 13 milhões de analfabetos, o número representa 8,7% da população acima de 15 anos.



Em 1º de novembro de 2001 o Governo do Estado de São Paulo criou o programa Escreve Cartas, influenciado pela protagonista Dora do filme Central do Brasil. “O programa existe nos Poupatempos de Osasco, Itaquera, São Bernardo do Campo e em Santo Amaro, que foi o primeiro com o projeto, há 15 anos.” comenta Dina Fernandes Chagas, aposentada e coordenadoras das voluntárias do programa em São Bernardo do Campo.

Além das cartas o programa também oferece ajuda no preenchimento de formulários, elaboração de currículos, narração de histórias para crianças e intercâmbio de cartas entre estudantes do ensino fundamental e idosos residentes em casas de repouso. O serviço é prestado ao cidadão gratuitamente. Basta ir até um dos Poupatempos com o programa para ser atendido, como fez Marcelo Isael Braga, 46 anos, que precisava de um auxílio para a elaboração do seu currículo: “É a primeira vez que participo do projeto. Recebi um folheto sobre o projeto, como precisava fazer um currículo lembrei daqui então decidi vir.” observa.

Dina, que o atendia, perguntou se gostaria de enviar uma carta para alguém e o convenceu a escrever para a esposa que atualmente está morando no Paraná. “Acho que a tecnologia ajuda, pelo celular é rápido para falar diferente da carta que vai demorar em torno de dois dias para chegar, mas tem aquela parte romântica. Fui falando e a moça quem escreveu, se eu fosse escrever não sairia nada. Você passa a ideia para elas, que vão te ajudando a desenvolver a carta.” comenta Marcelo que conta ter terminado o Ensino Médio há pouco tempo através do Enem, em relação ao atendimento fornecido pelas voluntárias finaliza: “gostei muito do programa, espero que continue, quem sabe eu não volte para fazer uma carta mais romântica?”.

São 37 voluntários atualmente em São Bernardo do Campo. “Poucas pessoas conhecem o programa, infelizmente”, adverte Maria José Junco Feltran, aposentada e voluntaria. Para participar ocorre um processo seletivo. “Tivemos que escrever uma carta sobre nós e mandar para alguém. Era um teste para saber se sabemos nos colocar.” diz Dayane Bezuoli dos Santos, estudante.


Entre tantas histórias que passam por lá, as voluntárias contaram sobre a Dona Terezinha, moradora em um asilo que foram visitar, que pediu ajuda para enviar cartas para programas de televisão para reformar a casa da irmã. “Ela ficou super feliz, li pra ela que depois quis ler cada uma, mesmo sendo todas iguais, fez questão. A gente conversa, orienta. Sou professora aposentada, uma vez professora, sempre professora.” lembra Maria.

“Gosto muito de participar do programa, é como se resolvêssemos a vida da pessoa. Em  30 minutos ela fica aqui e atendemos sua necessidade. Você se coloca no lugar do outro, se coloca a serviço da população.” encerra a estudante Dayane.

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