Resenha: Insatiable



Já vou avisando que contém spoiler, se você ainda não assistiu a série, mas pretende e não quer saber o que acontece em alguns dos episódios já vou avisando que é melhor parar por aqui.

Sinopse: 


Um advogado insatisfeito com sua vida acaba se tornando um treinador em um concurso de beleza. Lá, ele acompanha uma adolescente tímida, que sonha em ganhar a competição. O advogado só não imagina que a jovem planeja se vingar de todos os colegas que já zombaram dela.


Sobre: 


Antes mesmo de estrear, a série Insatiable, produzida pela Netfix, gerou muitas criticas nas redes sociais, rolando na internet uma petição que pedia seu cancelamento. Tudo começou após a rede streaming soltar a divulgação do enredo, que aborda sobre uma ex-gorda que, agora magra busca se vingar de quem a humilhou. A própria criada da sério Lauren Gussis e a vice-presidente de conteúdo original da Netflix, Cindy Holland, decidiram se pronunciar declarando:

“Quando eu tinha 13 anos, eu era suicida. Meus melhores amigos me largaram e eu queria vingança. Eu pensei que se eu ficasse bonita, eu sentiria que era o suficiente”, escreveu Gussis, que pediu “uma chance” para a atração. “Em vez disso, desenvolvi um distúrbio alimentar…É o tipo de raiva que faz você querer fazer coisas obscuras. […] Eu ainda não estou confortável na minha pele… Mas eu estou tentando compartilhar minha visão – compartilhar minha dor e vulnerabilidade por meio do humor. É apenas o meu jeito. […] Este show é uma narrativa preventiva sobre o quão prejudicial pode ser acreditar que o julgamento dos outros é mais importante.”


A Netflix manteve sua estreia.




O primeiro episodio começa contando sobre Patty Bladell (Debby Ryan) ou Fatty Patty, como é chamada por todos na escola. A proposta da série é abordar sobre gordofobia, porem acho que deu um pouco errado já que a série é uma piada de mal gosto e começa toda errada na minha opinião. (contem spoiler abaixo)

Vou te contar como ela emagrece. Patty come compulsivamente e uma noite sai para comprar doces com sua melhor amiga Nonnie Thompson (Kimmy Shields), após sair do estabelecimento um mendigo se aproxima pedindo o doce que ela está comendo, porém Bladdel nega e logo em seguida é ofendida pelo mendigo que a chama de gorda, então Patty dá um soco nele que retribui, fazendo com que ela quebre o maxilar podendo apenas se alimentar por sonda, desta forma ela emagrece 30 quilos.

Logo nos primeiros episódios outros personagens falam frases para Patty como: "Confie em mim. A magreza é mágica", "Devia me agradecer. Eu te salvei. Por minha causa ficou magra", colocando como: se você quer ser alguém na vida, seja magra (foi essa a impressão que tive em muitos momentos). Patty conhece então Bob Armstrong (Dallas Roberts), advogado falido que vai defende-la no tribunal do soco que ela deu no mendigo, mas que antes de conhece-la já a julga quando passam o caso para ele, pois precisam mencionar o fato dela ser gorda.

Mas logo volta atrás quando a conhece, já que ela poderia salvar a sua reputação, pois além de advogado é treinador de concursos de beleza  e a convida para participar do próxima concurso, encantada com a possibilidade de se tornar uma Miss, Patty logo topa. 

Bladell começa sua vingança após reencontrar o mendigo que lhe deu um soco que não a reconhece por ela estar magra e escutar ele dizer que estava arrependido e logo em seguida voltar atrás, Patty decide se vingar dele da pior forma possível, planejando: o seduzir, perder a virgindade com ele, fazer ele se apaixonar para então dar um pé na bunda e contar quem ela era. Após sentir o gosto "bom" da vingança, começa a maratona de ódio e rancor de uma menina totalmente desestruturara.

Teve apenas um episódio que abordou alguns minutos sobre o real objetivo da série, que é quando Patty e uma trans ficam lado a lado diante do espelho durante uma festa de biquíni e abordam a questão de se sentirem desconfortáveis em suas peles, uma falando sobre quando era gorda e a outra quando se sentia mulher no corpo de um homem. Entretanto, a série aborda muito mais a questão LGBT do que a gordofobia.

Como a paixão de Nonnie pela melhor amiga que não consegue assumir e assim levantando a questão sobre o conflito que é estar se descobrindo e sobre Bob que sempre foi afeminado, mas que só consegue falar sobre isso após a declaração apaixonada do seu vizinho por ele.

Uma coisa é querer tratar o assunto com humor, outra coisa é levantar o tema de forma tão indiferente, a séria na minha opinião não atingiu em nada seu objetivo, muito pelo contrário, Dee Marshall (Ashley D. Kelley) personagem secundária que é gorda, é a única que participa dos concursos de beleza e diz se aceitar e não ligar para a opinião dos outros, mas a mesma quase não aparece.

Acho interessante mostrar a questão do bullying, o quanto as pessoas são cruéis e para não falar que foi tudo ruim, digo que ao passarem que não adianta nada emagrecer para se sentir confiante que essa é uma mudança que vem de dentro e que ser gorda ou magra não define quem você é e não influencia na sua auto-estima, se ela está abalada, pode emagrecer 10 / 20 ou 30 quilos, mas vai continuar se sentindo péssima, foi um bom ponto a ser mostrado. Agora de resto? poderiam ter abordado com humor de forma diferente. 

Não gostei e por sempre estar acima do peso e já ter sofrido muito por isso não me senti representada e nem vi graça.




Fonte: Capricho / Estadão

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1 Comments

  1. Que pena que não gostou, ainda não assisti!]

    http://submersa-em-palavras.blogspot.com.br/

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